Apesar das várias reuniões e articulações do setor da cana com o governo e os deputados estaduais, inclusive com os presidentes da Alepe (Álvaro Porto) e Comissão de Finanças da Casa (Antônio Coelho), nesta semana, a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) e demais entidades do ramo seguem sem nenhum socorro para a crise que enfrentam diante dos efeitos do tarifaço dos EUA que têm gerado um prejuízo de R$ 500 milhões, com impactos sobre a safra.
Nada foi feito mesmo diante da promessa da governadora Raquel Lyra de doar adubo para amenizar a crise porque não houve acordo entre o presidente da Alepe e o governo em relação à votação da lei do orçamento deste ano (LOA). Nem mesmo depois das reuniões entre as partes, inclusive com o secretário estadual de Planejamento, Fabrício Santos, e com a própria governadora nesta quinta-feira (12).
Enquanto não há acordo sobre o teor da LOA, o presidente da Alepe não tem colocado a pauta para a votação, mesmo havendo um maior número de deputados favoráveis às mudanças de conteúdo da matéria propostas pela governadora, travando assim, as demais votações logo após o Carnaval. E isso prejudicará o socorro anunciado pelo governo ao setor canavieiro, que precisa do adubo com urgência diante do calendário agrícola (aproveitar o período de chuvas).
Alexandre Andrade Lima, que é presidente da AFCP, já estuda mobilizar a categoria para pressionar o Poder Legislativo em busca da garantia das medidas emergenciais: “Sem o adubo, o canavieiro que está sem recurso em função do tarifaço, não terá como reinvestir na nova safra”.
Isso reduzirá drasticamente a produção de cana com impacto direto na queda da fabricação de açúcar e etanol, que é um dos principais produtos do PIB de PE. E, consequentemente, a redução nos postos de trabalho e nos impostos para o Estado. É um efeito em cadeia noviço a Pernambuco.

